27/10/2010

O conhecimento que transforma São José dos Pinhais

Na Escola Rural Municipal Professor Alfredo José Eichel, o aprendizado sobre cidadania e participação social promoveu uma ruidosa revolução. Prática pedagógica da professora Fabiane Pampú foi uma das premiadas no Concurso Cultural Ler e Pensar 2010.

 
Campanha política, santinhos, promessas e revindicações. Todas essas situações foram vivenciadas por alunos da Escola Rural Municipal Professor Alfredo José Eichel, em São José dos Pinhais. A atividade foi iniciada pela professora Fabiane Aparecida Negoseki Pampú com uma turma da 4ª série e, de maneira despretensiosa, acabou tomando conta de toda a escola.
 
A iniciativa de Fabiane foi tão boa, que foi uma das homenageadas na cerimônia de premiação do Concurso Cultural Ler e Pensar 2010 que aconteceu na semana passada, no Teatro Guaíra. No Boletim de Leitura Orientada (BOLO) – jornal quinzenal direcionada aos professores participantes do projeto Ler e Pensar, com sugestões para o uso pedagógico do jornal – a prática pedagógica de Fabiane em São José dos Pinhais mereceu destaque na edição nº 148, de setembro deste ano.
 
No texto publicado pelo BOLO, Fabiane (foto) lembra que sempre foi uma apaixonada pelo potencial pedagógico do jornal. “Desde que comecei a atuar, utilizar o jornal é uma constante e traz ótimos resultados”, afirma. No caso da escola em questão, de uma zona rural, em que os alunos não têm fácil acesso ao jornal, o Ler e Pensar tornou-se, segundo a professora, “uma janela que os coloca diante do mundo e que os torna inteirados de sua própria realidade”.
 
Interessados e curiosos para enxergar através desta janela, os estudantes pesquisaram sobre política. “Ao estudar os Diários Secretos, os alunos facilmente faziam associações com discussões vistas na televisão e sentiam a relevância daquele tema”, justifica Fabiane. Tirar o tema do papel foi fácil, com entrevistas, dramatizações e até uma manifestação na escola em torno dos Diários Secretos. “Eles ficaram realmente motivados a fazer algo para transformar a situação que estava presente nos jornais e afetava a vida deles”, conta a professora.
 
De quebra, as atividades ainda transformaram o sentimento dos estudantes em relação à política. De acordo com Fabiane, “eles viam o que acontecia na televisão, mas não se viam como participantes. Depois, passaram a ser protagonistas”. A partir daí, não foi difícil promover uma reflexão sobre o tema: “Tudo foi crescendo a partir do interesse dos alunos e fui relacionando com conteúdos pedagógicos, de história e geografia, por exemplo. Também foi possível passar de uma situação de decepção para proposta de atuação”, argumenta a professora.
 
Aluno-Presidente 
 
Entre as ações propostas pelos estudantes, estava a realização de um pleito. Os próprios alunos quiseram fazer uma eleição para presidente da escola, com candidatos, propostas e reivindicações reais. Motivados pelos resultados obtidos por Fabiane, outros professores e também a direção abraçaram a ideia, movimentando todos os alunos, sob a batuta dos estudantes da 4ª série.
 
Para perceber a transformação na escola e na vida dos estudantes, basta consultar os alunos: “Temos algumas reivindicações e já encaminhamos para o prefeito. Poder participar de uma coisa dessas realmente faz a gente pensar no poder que temos e na responsabilidade que é ser político”, declarou o presidente eleito Thiago Eloir Gomes, da 4ª série (foto ao lado).
 
 

 

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