15/12/2010

Leitura, a revolução silenciosa

Com o apoio e incentivo de pais e professores, o hábito de ler pode transformar a vida de uma pessoa. Confira a notícia elaborada pela equipe do projeto Ler e Pensar e publicada no caderno Educação e Ensino da Gazeta do Povo em março. Um excelente convite

 
A medida em que o leitor corre os olhos pelas páginas de livros, revistas, gibis, sites, uma revolução silenciosa se inicia. “A leitura transforma a pessoa, tornando-a mais criativa, com uma melhor compreensão de mundo, mais imaginação, proporcionando mais crescimento pessoal em todos os aspectos”, explica Maria Cláudia Sondahl Rebellato, pedagoga, pós-graduada em alfabetização e autora de livro infantil.
 
Embora a leitura seja tão importante, ela ainda é pouco difundida no Brasil. Segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL), cada brasileiro lê pouco mais de dois livros por ano. Este baixo índice de leitura pode ser explicado por alguns indicadores, a começar pelo analfabetismo funcional. O último Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgado em 2008 pelo Instituto Paulo Montenegro revela que apenas 28% dos brasileiros com idade entre 15 e 64 anos têm domínio pleno da leitura e da escrita – ou seja, conseguem ler textos longos, localizar e relacionar mais de uma informação, comparar dados e identificar fontes. Outro fator que ajuda a explicar os índices precários de leitura no Brasil é a dificuldade no acesso aos livros, dada a falta de biblioteca em inúmeras cidades.
 
Felizmente, Maria Cláudia revela que este quadro pode ser revertido com iniciativas simples, tomadas tanto por pais quanto por professores. “A escola e a família têm papel fundamental. Nas duas esferas, é sempre importante criar um ambiente no qual o estudante perceba como a leitura pode ser prazerosa e que seja sempre estimulado a ler”, explica. Para a pedagoga, a escola deve incentivar a realização de projetos de fomento à leitura, uma vez que o leitor que se forma na escola e conhece os diferentes suportes de leitura irá ler no futuro todo o tipo de material, não apenas livros. "Criar espaços para a leitura, fazer os alunos comentarem o que estão lendo, apresentar os diversos suportes, como livros, jornais, revistas e gibis são ações que contribuem para associar o hábito da leitura ao prazer em todos os níveis de ensino”, explica.
 
A família, por sua vez, pode incentivar a leitura mesmo antes de a criança ser alfabetizada. “Ler um livro para as crianças e escrever pequenos bilhetes ajudam a criar um ambiente favorável à leitura”, explica a pedagoga Maria Cláudia.
 
Atenta à importância da família e da escola para o incentivo da leitura, a Escola Atuação, de Curitiba, desenvolve o projeto Momento de Leitura com a Família. A iniciativa envolve alunos do Maternal 1 ao Jardim 2, que levam livros para casa aos finais de semana para serem lidos pelos pais. Na segunda-feira, o aluno reconta a história com suas palavras. “É um momento muito rico, tanto para pais que desenvolvem novos vínculos afetivos com seus filhos, quanto para os alunos que despertam o interesse pela leitura”, explica Esther Cristina Pereira, diretora da escola.
 
Para Esther, a criança que cresce em contato com a leitura e a escrita, mesmo antes de ser alfabetizada, adquire experiências que vão fazer a diferença na hora de aprender a ler e a escrever. “A criança tem mais facilidade para ser alfabetizada e associa a leitura ao prazer, tornando este um hábito para sua vida e transformando sua relação com o mundo”, finaliza a diretora.
 
*Notícia elaborada por Andressa Grilo Assagra, da equipe do projeto Ler e Pensar, e publicada pelo jornal Gazeta do Povo, em março de 2010.
 
 
 
 

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