05/11/2012

I Congresso CPCE Alianças Sociais reúne governo, ONGs e empresas

Pacto Global, boas práticas de responsabilidade social empresarial e mobilização de recursos para projetos sociais deram a tônica do evento, na FIEP

* Com informações de www.cpce.org.br

A apresentação de duas iniciativas da ONU – o Pacto Global e o Programa de Cidades do Pacto Global – abriu o I Congresso CPCE Alianças Sociais, promovido pelo Conselho Paranaense de Cidadania Empresarial, com o apoio do Instituto GRPCOM. Reunidos na sede da FIEP, no Jardim Botânico, em Curitiba, representantes de instituições sociais, empresas e governo participaram do evento, que teve como objetivo incentivar a realização de ações na área da responsabilidade social corporativa, priorizando a sustentabilidade e a formação de alianças entre governo, empresas e organizações não governamentais.

"O CPCE almeja ser um ator importante na inovação do setor empresarial, apoiando mecanismos inovadores de governança corporativa", destacou o presidente executivo do CPCE, Victor Barbosa, ao abrir oficialmente o Congresso. Segundo o secretário estadual para Assuntos Estratégicos, Edson Luiz Casagrande, o governo tem a obrigação de promover o desenvolvimento, porém o governo do Paraná tem a preocupação de gerar, também, o desenvolvimento social e ambiental. "Estamos alinhados ao terceiro setor para realizar ações que promovam o desenvolvimento, pois as grandes ações só acontecem com o envolvimento da sociedade civil", destacou Edson. 

Segundo Yolanda Cerqueira, coordenadora da Rede Brasileira dol Pacto Global, uma pesquisa realizada pela empresa Deloitte, neste ano, junto a 108 empresas de grande porte, mostrou que 77% delas já formalizam a sustentabilidade no seu planejamento estratégico. "Isso demonstra uma valorização das ações de responsabilidade social. Para as empresas que querem começar a realizar ações na área, ser signatário do Pacto Global, é o caminho mais seguro", afirmou ela. "É cada vez mais comum empresas tratarem a sustentabilidade como gestão de risco, pois ela pode se tornar financeira, gerando lucro ou prejuízo para as organizações", destacou ela. Durante o primeiro trimestre de 2013, a Rede Paranaense do Pacto Global promoverá um treinamento para as empresas que já aderiram ao Pacto Global com foco no reporte das ações realizadas ao comitê do Pacto Global na ONU. Segundo Yolanda, três mil organizações em todo o mundo já foram excluídas por não reportar, anualmente, as suas ações para o alcance dos Princípios estabelecidos no Pacto Global. 

O outro programa apresentado na noite de abertura foi o de Cidades do Pacto Global, que tem o objetivo de discutir assuntos estratégicos para os municípios e incentivar a inovação. 50 cidades em todo o mundo são signatárias do Programa e 14 cidades são consideradas inovadoras. A única da América Latina é a capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, mas o Paraná já trabalha para incluir suas cidades a partir da recém-criada Aliança Nosso Paraná Sustentável, apresentada pelo Secretário Executivo do Conselho de Cidades do Paraná, Eduardo Manuel Araújo. "A Aliança está estruturada com o objetivo de envolver o governo, as empresas, a sociedade civil e a academia para pensarmos em modelos mentais e valores humanos que contribuam com o desenvolvimento sustentável do Paraná", destacou.

Mobilização x captação de recursos

No segundo dia de evento, Marcelo Estraviz, fundador da Associação Brasileira de Captadores de Recursos, falou sobre a necessidade de as empresas e ONGs diversificar ações e recursos, buscando legitimidade e envolvimento de pessoas nas causas sociais que defendem. Segundo ele, é preciso que as organizações trabalhem com diversas fontes de recursos e não fiquem engessadas somente em editais e leis de incentivo mais conhecidos, como a Lei Rouanet. "Estes grandes investimentos são importantes, mas é necessário também buscar outras fontes de recursos, evitando problemas corriqueiros que podem acontecer com recursos carimbados, entre eles, pequenas mudanças ao longo da realização de um projeto que não podem ser comportadas em um orçamento já estabelecido em um edital", afirmou.

Com variados recursos, as empresas e ONGs aumentam a legitimidade e autonomia no desenvolvimento das iniciativas. "As doações passam a ser feitas pela causa ou pela criação de vínculos e de novas ideias. A busca por investimentos variados pode não render muito valor no começo, mas eles são mais permanentes e duradouros, construindo legitimidade para a empresa ou ONG", disse ele, citando como exemplo o Greenpeace, instituição internacional que recebe doações de cerca de três milhões de pessoas e realizam atividades com autonomia em todo o planeta.

A formação de parcerias e de relacionamentos baseados na confiança também foram pontos destacados pelo palestrante para o fortalecimento da legitimidade da causa defendida pelas empresas e ONGs perante os doadores, que são as fontes de recurso. "Profissionais envolvidos com captação de investimentos tem que sair para a rua, buscar o diálogo com a sociedade e realizar parcerias. A internet e as redes sociais também ajudam neste processo de relacionamentos", afirmou Estraviz, destacando que é preciso buscar aliados que também acreditem na causa defendida pela instituição que solicita o apoio. "É preciso buscar o diálogo com os doadores. Dar o retorno das ações, agradecer e reconhecer o apoio na causa, criando desta forma elos de confiança e de relacionamentos duradouros", conta.

Outra questão levantada por ele foi quanto ao período de busca de recursos. "A melhor época é entre julho e novembro. Nestes meses a maioria das empresas fazem o planejamento estratégico para o ano seguinte", disse. Nos outros meses do ano é necessário que o profissional estabeleça contato permanente com os doadores, mostrando resultados e criando ainda mais legitimidade para a causa defendida. Algumas ONGs também vendem produtos com o objetivo de captar recursos, o que para o fundador da Associação Brasileira de Captadores de Recursos é uma estratégia positiva, desde que o que é oferecido tenha uma boa qualidade. "O produto escolhido, que pode ser uma caneca, por exemplo, tem que ser de bom gosto e de bom material. Ele pode custar um valor acima do mercado, pois está sendo vendido em prol de uma causa na sociedade", revelou.

No segundo painel da manhã de quarta-feira (31/10), o tema abordado foi Conselhos de Direitos: chancela para Investimento Social, apresentado pela presidente em exercício da Fundação de Ação Social (FAS), Maria de Lourdes San Roman e pelo coordenador de atendimento às entidades, João Carlos Singer. Segundo Maria de Lourdes, é fundamental a aproximação de empresários e entidades da sociedade de civil para fomento das atividades. "Precisamos trabalhar a captação de recursos na sociedade civil. Temos um processo não governamental maravilhoso e as entidades em Curitiba estão se adequando e fazendo esse trabalho", diz. Ela ainda reforçou o trabalho feito pelos Centros de Referência da Assistência Social (CRAS) e pelos Centros de Referência Especializados de Assistência Social – CREAS, enquanto João Carlos apresentou os principais detalhes sobre captação de doações dirigidas, prestações de contas, entre outros itens de processos licitatórios para captação de recursos, especialmente para o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (COMTIBA).

Cases de responsabilidade social empresarial e debate sobre incentivos fiscais

A parte da tarde do segundo dia de Congresso teve cases de responsabilidade social e terminou com uma discussão sobre a questão dos incentivos fiscais para o investimento social, com o advogado especialista em terceiro setor, Leandro Marins de Souza.

O Instituto Robert Bosch apresentou o Programa Peça por Peça, que desde o ano 2000 promove ações educativas na comunidade da Vila Torres e Vila Barigui. “Contamos com parcerias do poder público, iniciativa privada e instituições do terceiro setor para a realização das ações que beneficiam mais de 4 mil pessoas”, destacou o gestor do Instituto Roberto Bosch, Dirceu Puehler. Já a Fundação Banco do Brasil mostrou as parcerias que realiza para reaplicar os projetos vencedores do Prêmio de Tecnologia Social, realizado a cada dois anos pela entidade. As instituições sem fins lucrativos podem inscrever a sua tecnologia social, que se entende por uma metodologia de transformação social que pode ser reaplicada, passam por uma análise e algumas recebem um prêmio em dinheiro para reaplicar o projeto para outras comunidades.

“O potencial para o desenvolvimento das indústrias está na comunidade, por isso a importância de promover projetos comunitários”, destacou o gerente do Instituto Gerdau, Clóvis Xavier. Além de patrocinar projetos com recursos próprios, o Instituto Gerdau realiza um trabalho para promover a utilização de incentivos fiscais em ações sociais, tanto entre seus colaboradores quanto para colaboradores de outras empresas, numa iniciativa que já beneficiou mais de 300 mil crianças. Por fim, as ações do Instituto GRPCOM para promover o desenvolvimento do Paraná também foram apresentadas, com destaque para os projetos Ler e Pensar, Televisando o Futuro e Serviços e Cidadania. Entre as ações estão os programas Ler é Preciso, Televisando o Futuro e o Portal Serviços e Cidadania. “Ao todo são 17 projetos do Instituto e apoio a diversas instituições onde usamos a força da comunicação para mobilizar causas sociais relevantes”, destacou a diretora executiva do Instituto GRPCOM, Clarice Lopez Alda.
 
Abaixo, e também neste link, mais fotos do evento:
 
 
 
 
 
Crédito das fotos: Mauro Frasson/CPCE
 

 

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