27/08/2010

Brasileiros doam menos do que colombianos e do que africanos do Quênia e de Uganda

Trabalho voluntário e doações no Brasil representam apenas 0,5% do PIB. Na comparação com outros países, inclusive da América do Sul, os brasileiros são os menos envolvidos com o terceiro setor, seja doando dinheiro, seja trabalhando como voluntário ou fu

A impressão de que ONGs e projetos sociais se multiplicam no Brasil cai por terra quando se compara o envolvimento do brasileiro no terceiro setor com o que acontece em outros países. O trabalho voluntário e a filantropia ainda engatinham por aqui. Enquanto nos EUA, por exemplo, bilionários decidiram recentemente aderir ao projeto The Giving Pledge (“O compromisso de doar”, pela tradução literal) e doar metade de seus ganhos para projetos sociais, num montante que deve chegar a mais de 600 bilhões de dólares, aqui no Brasil a filantropia privada não representa mais do que 0,5% do PIB nacional (pouco mais do que 15 bilhões de dólares, 40 vezes menos do que o grupo de bilionários americanos pretende distribuir às instituições de caridade).
 
E olha que os EUA nem são o país que mais doa. Em termos percentuais em relação ao PIB, é a Holanda que lidera o ranking da filantropia da iniciativa privada, seguida pela Suécia. Os EUA vêm em terceiro lugar, doando 3,94% do seu Produto Interno Bruto, seguido pela Tanzânia, Reino Unido, Noruega e França. Na América do Sul, os campeões da solidariedade são os argentinos, que doam 2,36% do PIB deles. Na lista de 36 países divulgada pelo Banco Mundial, o Brasil está em 30º, atrás de Romênia, Uganda, Colômbia e Quênia, economias muito menores.
 
A reportagem de Breno Baldrati, publicada no jornal Gazeta do Povo, procurou explicações para essa situação, de o brasileiro doar tão pouco. A resposta teria diversas razões: históricas, conscientização da elite, políticas de incentivos fiscais (ou a falta de políticas neste sentido) e até a eficiência das entidades em captar dinheiro. Em resumo, o brasileiro ainda não tem a mesma cultura de filantropia de outros países – o que pode ser importante para explicar o desenvolvimento pelo qual passaram outras economias, hoje grandes potências, como os próprios EUA.
 
A mesma situação se repete em relação ao engajamento das pessoas em projetos sociais, seja como voluntários, seja como funcionários de organizações não-governamentais. Novamente, um ranking serve de parâmetro para as comparações: apenas 1,6% da população economicamente ativa do país trabalha no terceiro setor – sendo a grande maioria dessa mão-de-obra assalariada, ou seja, pessoas que recebem para isso. Em outros países, o número de voluntários é maior, bem como o de funcionários. Mais uma vez, a Holanda domina o ranking (14,4% da PEA), seguida por Bélgica (10,9%) e Irlanda (10,4%). A Argentina, novamente a melhor da América do Sul, ocupa a 14ª posição do ranking de 36 países, com 4,8% de sua PEA atuando na área. Já o Brasil fica atrás de países pobres, como o Peru, a Colômbia e, mais uma vez, Quênia e Uganda.
 
Dia Nacional do Voluntariado é amanhã
 
O blog Giro Sustentável, do IRPC, publicou hoje um texto sobre o tema: “Muito mais que cidadania, ser voluntário é um exercício de compaixão e amor ao próximo”. Se é tão difícil envolver pessoas no trabalho voluntário (ainda, pondere-se, que o número de trabalhadores voluntários venha crescendo nos últimos anos), é fundamental valorizar aquelas que já estão envolvidas.
 
Dia 28 de agosto é uma data que se propõe a isso: instituído em 1985, pela Lei Nº 7.532, sancionada pelo então Presidente da República José Sarney, o Dia Nacional do Voluntariado é celebrado anualmente a fim de reconhecer e destacar o trabalho das pessoas que doam tempo, trabalho e talento, de maneira voluntária, para causas de interesse social e para o bem da comunidade.
 
Entre os voluntários brasileiros – que, reforce-se, não são poucos, muito embora proporcionalmente sejam menos – a maioria é formada por mulheres. Em Curitiba, o Centro de Ação Voluntária (CAV), parceiro do Instituto RPC, revela que o número de mulheres que procura os serviços de promoção do voluntariado oferecidos pelo CAV é muito maior do que o número de homens (78%, contra 22%). O perfil é de pessoas cada vez mais jovens e com bom grau de instrução: a maioria tem entre 18 e 29 anos e 83% cursaram ou cursam o ensino superior, ou estão na pós-graduação. A reportagem de Luciana Penante, especial para o jornal Gazeta do Povo, destaca outras características da mão-de-obra voluntária Curitibana, predominantemente feminina.
 
No vídeo abaixo, na reportagem de Lucia Dub para o Paraná TV Entrevista, um belo exemplo de voluntário paranaense: Epaminondas Xavier de Barros, o Tio Barros, responsável pela criação de sete instituições que ajudam crianças em Ponta Grossa:
 

 

*Crédito da foto: Ivonaldo Alexandre/Gazeta do Povo

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