24/06/2010

Autor conclama diversidade, direitos humanos e voluntariado

Em entrevista para o Portal do Voluntário, educador social Reinaldo Bugarelli fala sobre sua militância na promoção dos direitos humanos.

Reinaldo Bulgarelli conheceu o racismo e a população de rua muito cedo e tornou-se um militante na promoção dos direitos humanos e na construção de um futuro menos injusto e com mais oportunidades. Depois de muitos trabalhos, dirigiu em São Paulo o Projeto Travessia, do antigo BankBoston e o Sindicato dos Bancários. Logo depois participou da criação e dirigiu a fundação do próprio banco. Este ano lançou o livro Diversos Somos Todos.
 
Nesta entrevista ao Portal do Voluntário ele fala de temas importantes e urgentes: voluntariado, direitos humanos, diversidade, desenvolvimento sustentável e outros. O conceito de voluntariado dele é instigante: “voluntariado não é um gesto que prepara o futuro melhor, mas é o próprio mundo melhor do futuro acontecendo agora.”
 
Veja a seguir os principais trechos desta interessante entrevista.
 
“Eu nasci em São Paulo, no centro da cidade. Muito cedo eu me engajei num grupo de jovens que tinha duas características que marcaram minha vida para sempre. Realizávamos no centro paulistano um trabalho social com população de rua e na igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, construída em 1711.
(…)
Eu tinha 16 anos. A militância levou-me logo a constituir o primeiro grupo de educadores sociais de rua no Brasil, a fundar o Movimento Nacional de Meninos/as de Rua e a participar ativamente da Constituinte e da elaboração do Estatuto da Criança e do Adolescente. Passei ainda alguns anos trabalhando na Secretaria do Menor do Estado de SP e outros na Amazônia pelo UNICEF.
(…)
Em grande parte destes 30 anos de trabalho e aprendizado, atuei diretamente com crianças e adolescentes em situação rua. Mas nunca perdi de vista a importância de mobilizar a sociedade para ganhos mais significativos no campo dos direitos humanos em termos de avanços na legislação e nas formas de atenção direta. Produzi também muitos textos e até um livrinho pelo Unicef, de 1986, que circula até hoje: “É possível Educar na Rua”. Foi o primeiro material produzido sobre educação social de rua no país.
(…)
 A minha trajetória sugere que o centro deste novo desenvolvimento deve ser a pessoa, as pessoas. Não é nada antropocêntrico. Sigo a linha de Amartya Sen que coloca o desenvolvimento como prática de liberdade, de expressão plena do ser humano.
(…)
As bases da sustentabilidade são os direitos humanos e sua reafirmação em práticas cotidianas que permitam considerar o bem comum em tudo que fazemos.
(…) Valorizar a diversidade é considerá-la como riqueza na hora de tomar decisões, de colocar em prática nossos valores. Ainda estamos longe disso, por isso ela é sim um grande desafio para as pessoas e organizações. (…) Essa bobagem de elegermos apenas os homens brancos, adultos, sem deficiência, heterossexuais, entre outras características, como os melhores, mais interessantes, sábios, confiáveis, sérios, produtivos, entre outros atributos. Quem tem um Brad Pitt na cabeça não precisa de inimigos e vai causar muitos estragos em suas escolhas ao longo da vida.
(…)
Voluntária é a ação que se dirige a uma causa ou questão para além do combinado, um algo a mais fora do que é esperado. (…) Eu digo que o voluntariado não é um gesto que prepara o futuro melhor, mas é o próprio mundo melhor do futuro acontecendo agora. Enxergar o bem-comum em tudo que fazemos e o trabalho para além de nossas fronteiras sociais criam pontes que já estão desenhadas em nossa mente, como uma forma de viver, de lidar com a vida, sem a qual não nos realizamos”.
 

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